A Endodontia é uma das especialidades da Odontologia que trata as doenças e lesões que afetam a polpa (nervo) do dente, sendo o tratamento de canal um dos procedimentos mais comuns na área.

Como principais sinais que surgem diante da necessidade de realização deste procedimento, podemos citar a presença de forte dor (contínua) de dente mediante estímulos térmicos, como ingestão de alimentos frios/quentes, casos de trauma dental (dependendo da intensidade) onde a polpa entra em colapso e morre, havendo alteração na cor do dente (geralmente fica escurecido), em casos de fratura dental com exposição do nervo ou ao apresentar algum sinal de infecção dentro do dente ou nos tecidos que o circundam (gengiva, ossos, ligamentos periodontais).

Se o paciente tiver algum problema de saúde grave, este deverá ser medicado antes de fazer o tratamento endodôntico, que é descrito como uma microcirurgia, onde todo o músculo (polpa dentária) que fica dentro do canal é removido. A necrose pulpar é o resultado final das alterações inflamatórias da polpa dental e a decomposição da mesma pode apresentar um odor desagradável característico, devido à presença de gases tóxicos (gás sulfídrico, amônio, ptomaínas, CO2 e H2O) e outros produtos intermediários dessa decomposição proteica, como o indol, escatol, putrecina e cadaverina, além da presença de bactérias anaeróbicas (bacteróides e os fusobacterium).

Dentro da rotina do tratamento endodôntico, é elevado o número de casos que apresentam sintomatologia dolorosa entre as sessões do tratamento (que pode ocorrer pela simples mudança de pressão durante a abertura de uma câmara pulpar de um dente contaminado) ou após a conclusão deste, inclusive nos pacientes anteriormente assintomáticos.

Um dente com polpa necrosada pode ou não apresentar manifestações periapicais. O ato operatório é delicado, exige atenção redobrada e muita concentração do Dentista, principalmente para evitar complicações pós-operatórias, que consiste na intensificação de situações crônicas ou produzir lesões onde não existia nada previamente.

Vários são os motivos que contribuem para o surgimento das dores mesmo após o tratamento, e estes diferem de paciente para paciente. Como principais causadores, podemos enumerar:

1- Casos em que a inflamação/infecção, tenha se alastrado aos tecidos periodontais e ósseos que sustentam o dente;
2- Quando o dente apresentar fratura ou trinca (quase imperceptíveis em radiografias convencionais), sendo indicada a realização de tomografia de um campo de visão reduzido (fov menor), a ser correlacionada com exames clínicos detalhados, para um diagnóstico mais preciso;
3- Casos em que, havendo um canal secundário ou acessório (podendo o dente ter uma anatomia diferenciada), o Cirurgião Dentista feche o dente sem tratá-lo, devido a não visualização deste canal;
4– Quando acidentalmente há transpasse de material obturador no final do canal, e este fique em contato com os ligamentos periodontais, gengiva e ossos, ocasionando em dor durante um período indeterminado de tempo (em alguns casos o próprio corpo pode encapsular ou absorver estes materiais, fazendo com que a dor cesse, sem a necessidade de mexer novamente nos canais);
5 – Restaurações mal feitas também são apontadas como causadores de dor, uma vez que ela pode levar o paciente a morder de forma incorreta, sobrecarregando a sua estrutura devido à necessidade de ajustes sobre esse dente para estabilizar a mordida.

O fato é que, como em qualquer tipo de cirurgia ou tratamento, nunca sabemos de que forma o dente poderá responder. Há casos de pacientes que não sentem absolutamente nada após o procedimento, em contra partida, há quem sinta uma dor de moderada a forte nos 3 primeiros dias, e vai diminuindo gradativamente até sumir completamente, podendo o dente ficar sensível por mais alguns dias.

 

Fontes:
OrtoBlog
Liga do Dentista
Saúde Abril