O uso da tomografia cone beam hoje em dia é aplicado não só para casos da Ortodontia, que é uma especialidade que observa aspectos ósseos e dentários, mas em várias especialidades da Odontologia, como a Implantodontia e a Cirurgia Bucomaxilofacial.

Uma vez que as imagens em duas dimensões (2D) apresentam limitações inerentes, a requisição de imagens tridimensionais (3D) do complexo dentomaxilofacial tem aumentado, dando notoriedade ao emprego da tomografia computadoriza cone beam (TCCB), que em comparação com as radiografias convencionais, apresentam um potencial em prover informações complementares claramente superior, tais como a eliminação da sobreposição de imagens, a possibilidade de estabelecer a densidade dos tecidos de 0,5% contra 5 a 10% das radiografias convencionais, alta acurácia e maior capacidade de distinção entre tons de cinza (alto contraste), obtenção de imagens axiais, coronais, sagitais e oblíquas.

Com isso, surgem novas possibilidades para avaliações, tratamento / pós-tratamento e acompanhamento de casos característicos. Mas afinal, quais as vantagens do uso de tomografia computadorizada de feixe cônico (cone beam computed tomography) na Ortodontia?

Entre as principais vantagens, podemos destacar a menor dose de radiação empregada, em relação a exames tomográficos tradicionais e radiografias convencionais, possibilidade de avaliação à distância devido à transmissão de arquivos digitais pela internet, o que acaba por facilitar a comunicação entre os profissionais envolvidos.

Através deste tipo de exame, podemos obter informações altamente relevantes e com alto nível de precisão. Dentre elas, podemos destacar: a localização tridimensional de dentes impactados, avaliação do grau de reabsorção radicular dos dentes vizinhos a caninos, simulação para planejamento ortodôntico cirúrgico, visualização da espessura do osso alveolar, avaliação da dimensão transversal das bases apicais e reabsorção radicular, mensuração da largura da sutura palatina, visualização em 3D das vias aéreas superiores, investigação da articulação temporomandibular, avaliação do movimento dentário nas regiões de osso atrésico (espessura da tábua óssea alveolar na direção vestibulolingual) ou com invaginação do seio maxilar; análise qualitativa e quantitativa do osso alveolar para ancoragem ortodôntica com mini-implantes, avaliação de defeitos ou enxertos ósseos na região de fissuras lábiopalatinas, avaliação de lesões na região dentomaxilofacial.

As informações 3D obtidas através da tomografia computadorizada cone beam possibilitam também o cruzamento com outros formatos de arquivos digitais, como fotografias 3D (obj) e modelos digitais (stl), permitindo a obtenção de informações que eram impossíveis de serem obtidas com as técnicas convencionais. Com as ferramentas e software disponíveis hoje no mercado, há uma vasta gama de possibilidades no que diz respeito a simulações virtuais de tratamento ortodôntico e ortodôntico-cirúrgicos, assim como a confecção de guias cirúrgicas, especialmente úteis em Cirurgia Ortognática e Implantodontia.

O diagnóstico em 3D vem com uma mudança de conceitos na Ortodontia e, em algumas situações, se faz imprescindível para o diagnóstico seguro. De um modo geral, é indicada a pacientes fissurados, pessoas que apresentem síndromes diversas em que a imagem panorâmica tradicional não é suficientemente esclarecedora, ausências congênitas de dentes ou extranumerários, dentes retidos, pacientes que serão submetidos à cirurgia ortognática, pacientes com grandes discrepâncias esqueléticas com suspeita de comprometimento do volume das vias respiratórias/apneia obstrutiva do sono, retratamentos ortodônticos, anomalias de crescimento com severos apinhamentos, avaliação de forma e posição das articulações temporomandibulares.

Atualmente há uma mudança de paradigma à medida que se presencia uma transição das imagens 2D para 3D. A TCCB como método complementar de exame é uma realidade, pois apresenta qualidade superior das imagens quando comparada às radiografias convencionais. A mudança de uma abordagem técnica é um desafio que todo profissional tem que estar apto a enfrentar. Para tomar a decisão, é necessário conhecimento e segurança da indicação. O bom senso deve sempre prevalecer.

Fontes:
https://www.dentalpress.com.br
https://repositorio.unesp.br
http://www.dentalreview.com.br
http://www.scielo.br