Por diversas vezes os profissionais da saúde são solicitados a determinar a idade óssea ou cronológica de algum paciente, seja para propiciar um melhor planejamento do tratamento, ou até mesmo na prática forense (auxiliando na definição da idade de criminosos ou cidadãos que não possuem documentos de identificação). Na Medicina, essas informações são muito importantes para a análise, preservação e tratamento de crianças com distúrbios de crescimento como:

– Atraso no crescimento constitucional;
– Deficiência nos hormônios de crescimento;
– Doenças Endocrinológicas.

A idade óssea (IO) é o indicador da idade biológica mais útil para caracterizar ritmos de maturação e tem demonstrado ser mais preciso e confiável que a idade cronológica (IC) na avaliação do progresso do individuo para a maturidade. É influenciada pelo sexo, grupo étnico e fatores genéticos, nutricionais, ambientais e socioeconômicos.

O crescimento e a maturação esqueléticos acontecem aproximadamente durante a infância e a puberdade, quando períodos de aceleração são observados, os chamados surtos de crescimento. Este fenômeno pode variar entre os indivíduos e entre os gêneros, ocorrendo cerca de dois anos antes nas meninas.

Cronologia do desenvolvimento da mão, punho e dentes – Correlação radiográfica.

No exercício clínico da Odontologia, especialmente na Odontopediatria, a aplicação da determinação da idade óssea é muito significativa, uma vez que o diagnóstico, o plano de tratamento e o prognóstico dos tratamentos em pacientes jovens baseiam-se no grau de maturação esquelética e no potencial de crescimento, posto que a idade cronológica e a esquelética podem não ser compatíveis.

Para aferir a idade óssea, os meios de diagnósticos mais utilizados são, a radiografia de mão e punho, a telerradiografia de perfil e a radiografia panorâmica dos maxilares. Mediante a análise do tamanho e da forma dos ossos da mão e do punho, tal qual das vértebras cervicais e do grau de calcificação dentária, é possível sugerir a idade fisiológica do indivíduo.

Existem inúmeras análises que empregam a radiografia de mão e punho na tentativa de estimar a idade óssea do paciente. Dentre elas, destacam-se métodos que utilizam um atlas padrão com radiografias carpais como referência. Outro método baseia-se na atribuição de escores para cada estágio de maturação de ossos específicos e ainda há aquele que estima a idade óssea utilizando medidas do comprimento e da largura dos ossos da mão e do punho.

A IO é estimada na radiografia carpal, quando se trata de indivíduos em desenvolvimento, e é obtida através de uma inspeção visual de 28 centros de ossificação, ilustrados na figura abaixo.

O tratamento Ortodôntico deve ser realizado preferencialmente, em indivíduos com idade precoce ou durante o surto de crescimento puberal, uma vez que é nesse período que as estruturas faciais reagem de forma mais eficiente aos estímulos proporcionados pela mecânica Ortodôntica. Outras especialidades também necessitam do conhecimento da maturação óssea, como a Ortodontia, Ortopedia Facial e a Implantodontia, pois o sucesso estético e funcional de um implante está associado com a completa maturação óssea.

A idade óssea revela com grande fidelidade o estágio de desenvolvimento do individuo, por isto é utilizada para o diagnóstico dos transtornos de crescimento. Assim, a associação entre a IC (idade cronológica) e a IO tem permitido que esta última seja empregada com sucesso.

 



Fontes:

Revista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e do Hospital das Clínicas
Repositório Institucional – Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Scientific Electronic Library Online