A gestação é o momento no qual a mulher se mostra mais receptiva a informações e às mudanças que possam ser revertidas em benefício ao bebê. Assim, as atitudes e escolhas maternas refletem diretamente no desenvolvimento e nascimento de um bebê saudável. Neste sentido, é fundamental que a mãe cuide também de sua saúde bucal e introduza bons hábitos desde o início na vida da criança.

Crenças e mitos de que o tratamento odontológico realizado durante a gravidez prejudica o desenvolvimento do feto ainda acompanham as gestantes e contribuem para dificultar o cuidado com a saúde bucal neste período. Inicialmente, é importante potencializarmos que na prática, e a despeito das atuais políticas de saúde bucal vigentes, ainda não existe a interdisciplinaridade entre os médicos das áreas relacionadas ao bem-estar da gestante/bebê com os cirurgiões-dentistas, para proporcionar um atendimento odontológico pré-natal integral, o que seria ideal.

Mulheres grávidas podem se submeter ao tratamento dentário essencial com segurança, preferencialmente entre a 13ª e 21ª semana de gestação. O segundo trimestre é o mais indicado, por ser um período com maior estabilidade, uma vez que no primeiro são comuns os episódios de náusea e vômito, e no terceiro trimestre a gestante apresenta um aumento na frequência urinária, edema (inchaço) das pernas, hipotensão postural e se sente desconfortável em posição de decúbito dorsal (deitada de barriga para cima), o que dificulta o atendimento odontológico.

Quando o uso de radiografias odontológicas se fazem necessárias para um diagnóstico preciso durante o período gestacional da paciente, há alguns cuidados que devem ser observados/ avaliados, como a utilização de avental de chumbo com protetor de tireoide, uso de filme ultrarrápido e um posicionamento correto para evitar repetições.

Para as tomadas radiográficas dentárias, os raios X não estão direcionados para a região abdominal/uterina, concentrando-se apenas na cabeça (maxila/mandíbula). Além disso, o tempo médio de exposição à radiação de uma radiografia odontológica (uma periapical, por exemplo), é de 0,2 segundos.

As tomadas radiográficas devem ser evitadas, mas podem sim ser feitas. Deve-se sempre questionar ao Médico / Dentista sobre real necessidade do exame para a análise de risco à saúde e desenvolvimento do feto e sempre avisar ao técnico de radiografia da sua condição, para que sejam tomadas todas as medidas de segurança necessárias.

No período da gravidez, a mulher desenvolve certas condições de saúde complexas que precisam ser conhecidas pelos cirurgiões-dentistas, a fim de que possa orientar corretamente a gestante em relação a seu estado de saúde geral. Embora na gravidez as alterações hormonais repercutam na fisiologia bucal (modificando o equilíbrio normal da boca e podendo levar ao agravamento do processo carioso e afecções gengivais), não é o período gestacional o responsável por tais alterações, mas pode agravar a inflamação gengival preexistente, principalmente se houver negligência na higiene bucal.

Características da Garavidez e seus efeitos na Saúde Bucal

Entre as manifestações bucais mais comuns durante a gravidez, destacam-se a gengivite (podendo resultar em sangramento durante a escovação), cárie, periodontite e a erosão do esmalte dental, que ocorre principalmente devido às náuseas e vômitos causados pela gestação, resultando em dentes mais sensíveis ao frio e às comidas ácidas.  

CURIOSIDADES:

É importante que hábitos saudáveis de higiene bucal e uma boa alimentação sejam adotados desde a gravidez, pois o nível de saúde bucal da mãe está diretamente ligado à saúde bucal da criança, uma vez que os “dentes de leite” são formados a partir da 6ª semana de gestação e os dentes permanentes a partir do quinto mês da vida intrauterina, de acordo com a tabela abaixo:

Cronologia de erupção.

Por essa razão, o uso de alguns medicamentos ou infecções não tratadas podem ocasionar em problemas na dentição do bebê não da mãe. Além disso, estudos científicos mostram que:

– Crianças cujas mães apresentam alta concentração de Streptococcus mutans (a bactéria causadora da cárie) na saliva adquirem essa bactéria mais cedo e em maior número, aumentando o risco de cáries nos dentes de leite;

– A formação do paladar do feto inicia-se na 14ª semana de gestação;

– Os hábitos alimentares da mãe durante a gravidez influenciam o paladar do recém-nascido.

MITOS X VERDADES sobre a saúde bucal durante a gravidez:

  1. Deve-se evitar o uso de antisséptico bucal.

    Os antissépticos são produtos químicos que devem sempre ser utilizados sobre a supervisão de um cirurgião-dentista ou do médico responsável. Durante o chamado período pré-natal, a gestante deve evitar a utilização dos antissépticos, a não ser em casos específicos. Muitos antissépticos possuem álcool em sua formulação e isto pode provocar o ressecamento da mucosa oral.

  2. As gestantes sempre têm problemas periodontais durante a gravidez.

    Da mesma forma que a gravidez não causa cáries também não causa problemas periodontais ou inflamação gengival. O tecido de suporte dos dentes é composto pela gengiva, osso e ligamento periodontal. Porém, devido a alterações hormonais, ocorre uma maior vascularização gengival durante a gestação. A gengiva fica mais susceptível, no entanto o que causa a inflamação (gengivite ou periodontite) é a placa bacteriana, e não a gravidez.

  3. A gestante pode realizar tratamento oral.

    Porém, o ideal (desde que não exista nenhuma urgência) é que o atendimento ocorra no segundo trimestre da gravidez. Nesta fase a gestante encontra-se em um período de maior estabilidade gestacional, o período de embriogênese, onde ocorre a maior diferenciação, a multiplicação celular já passou (primeiro trimestre) e a data do parto ainda está distante.

  4. Higienizar a língua durante a gestação pode causar enjoo.

    Para manter o hálito puro e saudável, a língua deve ser higienizada, pois é nesta região que as bactérias ficam alojadas. A higienização deve ser feita diariamente, preferencialmente, todas as manhãs com um higienizador e não com escovas, para evitar enjoo.

  5. A gestação traz consigo cárie e perda de dentes.

    A cárie e consequente perda de dentes são provocadas pela alimentação desregulada, rica em carboidratos e falta de higiene bucal. Sendo assim, mulheres gestantes ou não gestantes podem ser acometidas de cárie caso não haja uma correta escovação, com uso de fio dental e creme dental com flúor, e visitas regulares ao dentista.

  6. A mulher perde cálcio durante a gestação.

    MITO. O cálcio necessário para a formação dos dentes do bebê provém da alimentação da gestante, os seus dentes não participam do processo de captação e nem sofrem qualquer dano.

 


Fontes:

Conselho Federal de Odontologia
Rede de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
Fetal Med – Medicina Fetal

Colgate – Centro de Cuidado Bucal
BabyCenter
Almanaque dos Pais